Ao parar em um posto de combustíveis nos próximos meses para abastecer, é bem provável que o brasileiro reclame do aumento no valor da gasolina dos tipos Comum e Premium. A reação inicial, possivelmente, será culpar a inflação e o governo pelo impacto no bolso. Mas calma. O reajuste está atrelado aos novos produtos que passaram a ser distribuídos no País pela Petrobras desde o último dia 3, atendendo novas especificações definidas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). A nova gasolina tipos Comum e Premium, apesar de mais caras, devem trazer mais economia, qualidade e aumentar a vida útil dos motores.

Os novos padrões são resultados de três anos de estudos e pesquisas. As mudanças – que devem acontecer gradativamente até novembro, quando os padrões atuais deixarão de ser comercializados – valem para a gasolina tipo C (comum), a mais tradicional, e a premium, indicada pelas fabricantes de carros esportivos, embora muita gente a utilize em seus veículos no dia a dia. Na prática, o novo combustível brasileiro terá melhor qualidade e deixará os carros mais eficientes – reduzindo o consumo e as emissões de poluentes.

De acordo com estudos realizados pela Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil), a nova gasolina deverá melhorar sensivelmente o desempenho do veículo, resultando em uma economia de 3% a 4% por quilômetro rodado por litro. Esta melhora, de acordo com especialistas da entidade, compensará o aumento no valor do litro na bomba.

PADRONIZAÇÃO E OCTANAGEM

As principais novidades estão no estabelecimento do valor mínimo de massa específica para 715,0 kg/m³ (que irá impactar na redução do consumo de combustível em até 5% e dificultar a adulteração) e do valor mínimo para a temperatura de destilação em 50% (T50) para a gasolina A, de 77,0 °C (que irá resultar em um aquecimento mais rápido do motor).

Outra mudança está no método de medição da octanagem, que até então era feita pelo padrão chamado IAD. Neste padrão, a octanagem da gasolina brasileira era de 87 IAD (comum e aditivada) e 91 IAD (premium). A partir deste mês, o Brasil passa a usar o padrão RON (mesmo adotado na Europa). Com isso, a gasolina brasileira passa a ser classificada com no mínimo 92 RON (comum e a aditivada) e 97 RON (premium). A partir de 1º de janeiro de 2022, a comum passa a ter como parâmetro mínimo 93 RON.

Quanto maior a octanagem, maior a capacidade da gasolina de resistir à detonação, evitando o fenômeno chamado de batida de pino. Por esse motivo, o uso de combustíveis de octanagem mais alta é recomendado para extrair o melhor desempenho de motores esportivos, carros preparados e de motores com taxa de compressão alta (acima de 10:1).

Na visão dos especialistas, outro benefício na mudança de padrão será a padronização de densidade dos produtos, reduzindo riscos de adulteração.

MEIO AMBIENTE

Além das melhorias prometidas a nova gasolina também foi desenvolvida com um olhar para o meio ambiente, um dos assuntos com maior engajamento mundial nos últimos anos.

Segundo os especialistas de mercado e engenheiros, a nova gasolina vai contribuir para a redução de emissões. Isso porque cada litro consumido gera uma quantidade de CO2. A redução de 4% de consumo a estimativa que isso gere o mesmo percentual de queda de emissões de CO2 no ar.

SAIBA AS DIFERENÇAS

A gasolina sem adição de etanol segue sendo produzida pela Petrobras, que repassa o produto para as distribuidoras, onde é feita a adição do etanol anidro. A comum e a aditivada seguem exatamente as mesmas regras em termos de percentual máximo de etanol (27%).

A diferença nesta última fica por conta da adição de aditivos para manter o motor limpo e remover a sujeira formada no sistema de alimentação de combustível. O reflexo é um consumo menor e um desempenho superior do que em um propulsor acostumado a receber apenas a gasolina comum.

Já a premium (máximo de 25% de etanol), na verdade, é mais de uma: a Shell V-Power Racing tem 98 octanas RON, enquanto a Ipiranga Octapro e a Podium tem 102 RON. Só que a premium da BR tem uma composição de enxofre de 30 ppm, abaixo do padrão de 50 ppm determinado pela legislação. Quanto menor do teor de enxofre, mais “limpa” a gasolina é em termos de emissões de poluentes e menor é a formação de sujeira dentro do propulsor.

(Fonte: IG)